O ladrão confiado

O ladrão confiado

Era uma manhã radiosa de verão. O céu, limpo de nuvens, se mostrava de um azul brilhante e tranquilo.
Dr. Ivo estacionou o carro em frente à sua casa, como fazia todas as manhãs e entrou, calmamente, pelo corredor da garagem. A meio caminho se deparou com um sujeito, trouxa no ombro, que vinha em direção à rua. Este falou:
- Bom dia Dr. Ivo, como vai o senhor!
Simpático o cara! Dr. Ivo, carregado com a energia de um lindo dia, respondeu satisfeito:
- Bom dia!
Já na porta da cozinha, perguntou à Dona Clotilde, - Clô, quem era o camarada que saiu há pouco? Não o conheço... Carregava algo volumoso, bem educado o rapaz...
Dona Clotilde largou a lida e, muito atilada, como de resto todas as mulheres o são, foi até o pátio e disse com certa rispidez:
- Mas Ivo, esse homem roubou toda a nossa roupa que estava no varal! Como não enxergaste isso!  
Dr. Ivo deu meia volta, andou rápido até a frente e, já na rua, não viu ninguém. Arrancou com seu Pontiac 1952, deixando borracha quente no paralelepípedo. Duas quadras adiante, já na esquina da praça, estacionou junto à delegacia e convidou o delegado, o alemão Schneider, para acompanhá-lo.  Vamos atrás de um meliante!
Mais duas quadras e o delegado deu voz de prisão ao ladrão que caminhava tranquilamente. A roupa foi toda resgatada, intacta. Mais um caso resolvido!
Isso aconteceu na bucólica Alegrete dos anos 50 em que ladrão cumprimentava a vítima numa boa! Nos dias de hoje, basta um suspiro para que o bandido saque de um punhal ou outra arma e despache o pobre indivíduo que está sofrendo a agressão para outro mundo. É uma diferença gritante de valores, em que a vida não tem a menor importância. O ritmo de tudo, alucinante... Os tempos são outros!

   [Imagem acima, Alegrete em 1950, Posto Argos na rua dos      Andradas esquina com Barão do Cerro Largo, Foto Lacy].





Pontiac eight 1952.








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